O mercado de energia elétrica no Brasil parece complicado à primeira vista: são várias instituições, siglas, tarifas e formas de contratar. Mas, para uma empresa, entender o básico já abre caminho para economias importantes, seja no mercado livre, na geração distribuída ou simplesmente em uma gestão melhor da conta de luz.

Abaixo, o essencial para se situar, do caminho da energia até a sua fatura às mudanças previstas para os próximos anos.

Como a energia chega até a sua empresa?

O caminho da energia tem quatro etapas, cada uma com custos que aparecem, direta ou indiretamente, na sua fatura:

EtapaO que aconteceQuem faz
GeraçãoProdução de energia em usinas hidrelétricas, eólicas, solares, térmicas e outrasGeradoras
TransmissãoTransporte em alta tensão por longas distânciasTransmissoras
DistribuiçãoEntrega da energia até o consumidor, em média e baixa tensãoDistribuidoras
ComercializaçãoCompra e venda da energia em siDistribuidoras, comercializadoras e geradoras

Toda essa estrutura é interligada pelo Sistema Interligado Nacional (SIN), que conecta praticamente todo o país.

Quem é quem no setor elétrico?

InstituiçãoPapel
MME (Ministério de Minas e Energia)Define as políticas para o setor
ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica)Regula e fiscaliza o setor e define as tarifas das distribuidoras
ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico)Opera o sistema em tempo real e decide quais usinas geram a cada momento
CCEE (Câmara de Comercialização de Energia)Registra contratos, contabiliza e liquida o mercado e calcula o preço de curto prazo (PLD)
EPE (Empresa de Pesquisa Energética)Faz estudos e o planejamento da expansão do setor

Desde 2026, a CCEE se chama oficialmente Câmara de Comercialização de Energia, sem o "Elétrica" no nome, e ganhou novas funções com a abertura do mercado, como a plataforma oficial para comparar ofertas.

Quais são as formas de comprar energia?

Mercado regulado (ACR, ou mercado cativo)

É o modelo da maioria dos consumidores. A empresa compra energia obrigatoriamente da distribuidora local, pela tarifa definida pela ANEEL, que é reajustada todo ano. Não há negociação de preço. Entenda como funcionam esses ajustes em reajuste tarifário da ANEEL.

Mercado livre (ACL)

No mercado livre, a empresa escolhe de quem compra a energia e negocia preço, prazo, volume e reajuste diretamente com comercializadoras ou geradoras. A distribuidora continua entregando a energia pela sua rede e cobrando pelo uso do fio.

Desde janeiro de 2024, todos os consumidores atendidos em média e alta tensão (grupo A) podem migrar. Para a baixa tensão, a abertura está marcada para 25/11/2027 (indústrias e comércios) e 25/11/2028 (demais consumidores), como detalhamos em abertura do mercado livre para a baixa tensão.

Para entender o modelo em profundidade, veja o que é o mercado livre de energia.

Geração distribuída (GD)

Na geração distribuída, a energia é produzida perto do local de consumo, geralmente por painéis solares. A empresa pode gerar no próprio telhado ou receber créditos de uma usina remota, que abatem o consumo na conta da distribuidora. O sistema de compensação é regulado pela Lei nº 14.300/2022. Saiba mais em o que é a geração distribuída.

Mercado reguladoMercado livreGeração distribuída
Quem podeTodosGrupo A hoje; baixa tensão a partir de 2027/2028Todos, conforme as regras da distribuidora
Preço da energiaTarifa da ANEELNegociadoCréditos de energia gerada
Principal vantagemSimplicidadeNegociação e previsibilidadeEconomia sem trocar de fornecedor
Ponto de atençãoSem controle sobre o preçoContrato e riscosCompensação e regras da usina

O que forma o preço da energia?

A conta de uma empresa combina várias parcelas:

  • Energia (TE): o custo da energia em si, negociável no mercado livre;
  • Uso da rede (TUSD): o custo da distribuição e da transmissão, sempre regulado;
  • Encargos setoriais: como a CDE, que financia políticas públicas do setor;
  • Bandeiras tarifárias: adicional mensal no mercado regulado, conforme o custo de geração;
  • Tributos: ICMS, PIS e Cofins.

Para empresas do grupo A, entra ainda a demanda contratada, a potência reservada na rede, que é um custo fixo mensal.

O que está mudando no setor?

  • Abertura do mercado livre para todos, com produto padrão e plataforma oficial de comparação de ofertas;
  • Crescimento da energia solar, que deixa a energia barata durante o dia e mais cara no fim da tarde;
  • Armazenamento em baterias, com os primeiros leilões nacionais previstos para dezembro de 2026;
  • Mais instrumentos financeiros, como a negociação de contratos em bolsa e as contrapartes centrais.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre mercado livre e mercado cativo?

No mercado cativo, a empresa compra energia da distribuidora local pela tarifa regulada. No mercado livre, escolhe o fornecedor e negocia as condições. Nos dois casos, a distribuidora continua responsável pela rede.

Minha empresa pode migrar para o mercado livre hoje?

Se for atendida em média ou alta tensão (grupo A), sim. Se for de baixa tensão, poderá a partir de 25/11/2027 (indústrias e comércios) ou 25/11/2028 (demais).

Geração distribuída e mercado livre podem ser usados juntos?

São modelos diferentes, e a combinação depende das regras de cada um e do perfil da empresa. Vale uma análise específica antes de decidir.

Quem define o preço da energia no mercado livre?

O preço é negociado entre comprador e vendedor. O Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), calculado pela CCEE, é a referência de curto prazo e influencia os preços dos contratos.

Por onde começar

Entender quem faz o quê no setor elétrico e quais são as formas de comprar energia é o primeiro passo para pagar menos e com mais previsibilidade. O Blog Energia existe para explicar esses temas de forma prática, com foco no que importa para a sua empresa.

Quer saber qual modelo faz mais sentido para o seu negócio? Envie sua conta de energia e a Stratus Energia faz uma análise personalizada.


Fontes