O consumo de energia no Brasil segue crescendo, os reservatórios das hidrelétricas estão baixando e o preço da energia no mercado de curto prazo tem oscilado como nunca ao longo do dia. Para quem vai contratar ou renovar energia no mercado livre nos próximos meses, entender esse cenário faz diferença.

O que os números mostram

Consumo em alta

Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) deve crescer 4,2% em outubro na comparação com outubro de 2025, chegando a 85.730 MW médios. A previsão chegou a ser de 4,9% na semana anterior e foi revisada para baixo em 23 de outubro.

As temperaturas altas ajudam a explicar esse aumento, com reflexo especialmente no consumo do fim da tarde.

Reservatórios em queda

IndicadorSituação
Reservatórios do Sudeste/Centro-OestePrevisão de 55,2% ao fim de outubro (antes: 56,6%)
Reservatórios do SulCerca de 80% da capacidade, após queda de 0,8 ponto percentual
Chuvas no Sudeste/Centro-OesteAfluências previstas em 152% da média histórica de outubro

O Sudeste/Centro-Oeste concentra a maior parte do armazenamento do país. As chuvas de outubro estão acima da média, mas o nível dos reservatórios continua caindo enquanto o período úmido não se firma.

O preço: mais volátil do que nunca

O sinal mais claro do momento é a volatilidade do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que é calculado hora a hora.

Em 15 de outubro, o PLD horário foi do piso de R$ 57,31/MWh nas primeiras horas do dia ao teto de R$ 1.437/MWh no horário de ponta. A combinação de calor forte no fim da tarde com queda da geração eólica no Nordeste levou o preço ao limite máximo.

Esse comportamento tem uma explicação estrutural:

  • Durante o dia, a geração solar é abundante e o preço tende a cair, muitas vezes até o piso.
  • No fim da tarde, o sol se põe, o consumo continua alto e o sistema depende de hidrelétricas e térmicas. É aí que o preço dispara.

Ou seja: a média do mês pode parecer tranquila, mas o risco está concentrado em poucas horas do dia.

O que isso significa para quem vai contratar

  1. O momento importa. Em um mercado volátil, propostas com poucos dias de diferença podem trazer condições bem diferentes. Acompanhar o mercado antes de fechar faz diferença.
  2. Olhe o perfil de consumo, não só a média. Empresas que consomem muito no fim da tarde estão mais expostas aos horários de preço alto.
  3. Atenção à flexibilidade do contrato. Consumir acima do contratado significa comprar a diferença no curto prazo, justamente onde está a volatilidade.
  4. Prazo e reajuste. Em cenário de incerteza, avalie se faz sentido travar preço por mais tempo ou contratar em etapas.

Veja também: Contrato no mercado livre de energia: 9 pontos para avaliar antes de assinar.

Conclusão

O cenário para a virada do ano depende principalmente das chuvas do período úmido. Até lá, o recado é claro: o preço médio conta só parte da história, e a volatilidade horária veio para ficar.

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Fontes