O Brasil vai realizar em dezembro seus primeiros leilões de armazenamento de energia em baterias. Na reta final de preparação, o BNDES credenciou o primeiro sistema de baterias que atende às exigências de conteúdo nacional do leilão. É um marco para uma tecnologia que já é a que mais cresce no mundo.
O que aconteceu
Em setembro, o BNDES credenciou sete empresas como fornecedoras de sistemas de armazenamento para a modalidade de conteúdo nacional: as brasileiras WEG, Moura e You.On e os grupos chineses TBEA, Gotion, Trina e BYD.
O credenciamento da empresa é o primeiro passo. Cada sistema precisa passar por uma avaliação técnica para comprovar que cumpre as regras de conteúdo local. Em outubro, o banco credenciou o primeiro sistema que atende a essas exigências.
Os leilões de dezembro
| Leilão | Data | Para quem |
|---|---|---|
| LRCAP 2026 – Armazenamento Nacional | 2 de dezembro | Sistemas com conteúdo nacional mínimo |
| LRCAP 2026 – Armazenamento | 4 de dezembro | Projetos com equipamentos importados |
Os leilões de reserva de capacidade (LRCAP) contratam potência para garantir o atendimento nos momentos de maior demanda. A entrega dos sistemas contratados está prevista a partir de 1º de agosto de 2028. A EPE cadastrou mais de 6 mil projetos, somando cerca de 297 GW nas duas modalidades, o que mostra o tamanho do interesse.
Por que baterias, e por que agora
O sistema elétrico brasileiro vive um descompasso diário: sobra energia solar no meio do dia e falta energia no fim da tarde, quando o sol se põe e o consumo continua alto. É nesse horário que o preço da energia dispara.
As baterias resolvem exatamente esse problema: armazenam energia quando ela é barata e devolvem quando ela é cara.
No mundo, a tecnologia já ganhou escala. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), 108 GW de baterias foram instalados em 2025, 40% a mais que em 2024. A capacidade instalada global é hoje onze vezes maior que em 2021.
E para as empresas?
Os leilões tratam de grandes sistemas conectados à rede. Mas as mesmas baterias também podem ser instaladas dentro das empresas, atrás do medidor. Nesse caso, os usos mais comuns são:
- Reduzir o consumo no horário de ponta, quando a tarifa é mais cara para consumidores do grupo A;
- Controlar picos de demanda, evitando cobranças por ultrapassagem de demanda contratada;
- Aproveitar melhor a geração solar própria, guardando o excedente do meio do dia;
- Garantir energia de reserva em caso de falhas na rede.
A viabilidade depende do perfil de consumo, da tarifa e do custo do equipamento, que vem caindo ano a ano. Vale fazer a conta com dados reais da sua fatura.
Conclusão
Os leilões de dezembro devem marcar a entrada definitiva do armazenamento no setor elétrico brasileiro. Para as empresas, a tendência é que baterias passem a ser uma ferramenta a mais de gestão de energia, ao lado do mercado livre e da geração distribuída.
Quer saber se o armazenamento faz sentido para a sua empresa? Envie sua conta de energia e a Stratus Energia analisa o seu perfil de consumo.