A bandeira tarifária aparece na conta de luz como um adicional que muda todo mês, e muita gente só descobre que ela existe quando o valor sobe. Para uma empresa, entender a bandeira tarifária vale por dois motivos: ela afeta o custo de quem compra energia da distribuidora, e é um dos argumentos mais concretos a favor do mercado livre.

A resposta curta: quem paga bandeira é o consumidor do mercado regulado (cativo). Quem está no mercado livre não paga. Mas essa vantagem vem acompanhada de outro risco, que explicamos mais abaixo.

O que é a bandeira tarifária?

É um sistema criado pela Aneel para sinalizar, mês a mês, o custo de gerar energia no país. Quando os reservatórios das hidrelétricas estão cheios, gerar é barato. Quando a água escasseia, entram em operação as usinas térmicas, mais caras, e o custo extra é repassado ao consumidor por meio da bandeira.

Existem três cores, com quatro níveis de cobrança:

BandeiraSituação da geraçãoCobrança
VerdeCondições favoráveisNenhum adicional
AmarelaCondições menos favoráveisAdicional por 100 kWh consumidos
Vermelha patamar 1Condições mais custosasAdicional maior
Vermelha patamar 2Condições muito custosasAdicional máximo

A cobrança é proporcional ao consumo em kWh, e a Aneel define o valor de cada patamar.

Qual é a bandeira de outubro e quando sai a de novembro?

Em outubro de 2026 vigora a bandeira verde, anunciada pela Aneel em 25 de setembro. Foi a primeira verde desde abril: de maio a setembro, a bandeira foi amarela. Segundo a imprensa, a mudança refletiu a chegada de chuvas no início da transição do período seco para o úmido em parte das principais bacias.

A bandeira de novembro será divulgada em 30 de outubro, conforme o calendário de 2026 da Aneel. Como este texto é atemporal, o melhor é conferir a decisão no site da agência e usar os valores abaixo como base de cálculo.

Os últimos valores que encontramos em fontes públicas são estes (confirme no site da Aneel, porque a agência pode atualizar os valores):

  • Amarela: R$ 1,885 por 100 kWh;
  • Vermelha patamar 1: R$ 4,46 por 100 kWh;
  • Vermelha patamar 2: R$ 7,87 por 100 kWh.

A amarela é citada pela imprensa nesse valor durante os meses de 2026 em que vigorou. As vermelhas aparecem em notícias de novembro de 2025 e podem ter sido revistas desde então.

O que explica o sinal do sistema

A bandeira reflete o custo de geração, e esse custo depende dos reservatórios. Segundo o ONS, a previsão de armazenamento do Sudeste/Centro-Oeste ao fim de outubro era de 55,2%, abaixo da estimativa anterior de 56,6%, com afluências acima da média histórica. É um cenário misto: níveis em queda, mas chuva ajudando. A relação entre carga, reservatórios e preço é detalhada em carga em alta e reservatórios em queda.

Na prática, bandeira e preço de curto prazo (PLD) respondem às mesmas condições do sistema. Quando uma sobe, a outra costuma acompanhar, mas por caminhos diferentes. A bandeira é um adicional mensal sobre a tarifa; o PLD é o preço do mercado de curto prazo, e cada um afeta um tipo de consumidor.

Quanto a bandeira pesa para uma empresa

Os números abaixo são um exemplo, calculados com os valores citados acima e ignorando tributos.

Consumo mensalAmarela (R$ 1,885)Vermelha 1 (R$ 4,46)Vermelha 2 (R$ 7,87)
50.000 kWhR$ 942R$ 2.230R$ 3.935
200.000 kWhR$ 3.770R$ 8.920R$ 15.740
500.000 kWhR$ 9.425R$ 22.300R$ 39.350

Para uma indústria de 200.000 kWh por mês, cinco meses de bandeira amarela somam R$ 18.850. Se a bandeira fosse vermelha patamar 2 nos mesmos cinco meses, seriam R$ 78.700. É um custo que oscila fora do controle da empresa e que raramente aparece no planejamento orçamentário.

Quem paga a bandeira e quem não paga

A bandeira incide sobre a parcela de energia da tarifa do mercado regulado. Por isso:

  • Paga: o consumidor cativo, que compra energia da distribuidora, em qualquer nível de tensão.
  • Não paga: o consumidor do mercado livre, que compra energia de uma comercializadora por contrato e não depende da tarifa da distribuidora para essa parcela. Veja o que é o mercado livre de energia.

O consumidor livre continua pagando a tarifa de uso da rede (TUSD) e os encargos. Há propostas em discussão, como a do Inesc, de dividir o custo das bandeiras com o mercado livre, mas isso não é regra vigente.

O outro lado: quem está no mercado livre tem outro tipo de risco

Escapar da bandeira não significa escapar do custo de geração. O consumidor livre troca a bandeira, que é um adicional mensal e previsível em escala, pelo contrato de energia, que tem preço definido. Se o contrato não cobrir todo o consumo, a diferença é liquidada ao PLD, que pode variar muito em poucas horas. Em 15 de outubro, por exemplo, o PLD horário foi do piso de R$ 57,31/MWh ao teto de R$ 1.437/MWh, segundo o Cenário Energia.

Por isso a escolha do tipo de contrato importa tanto quanto a decisão de migrar. O artigo sobre tipos de contratos no mercado livre mostra como cada modelo divide esse risco.

Perguntas frequentes

A bandeira tarifária vale para toda a empresa?

Vale para consumidores do mercado regulado, em qualquer nível de tensão. Quem comprou energia no mercado livre não paga o adicional.

Quem decide a cor da bandeira?

A Aneel, todo mês, com base nas condições de geração informadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A data de anúncio de cada mês consta no calendário anual da agência.

A bandeira verde significa que a energia está barata?

Significa que o custo de geração, naquele mês, não exige adicional na tarifa. Não quer dizer que a energia seja barata em termos absolutos: a tarifa-base continua sendo cobrada.

Migrar para o mercado livre elimina todo risco de custo extra?

Não. Elimina a bandeira, mas cria exposição ao preço de curto prazo se o contrato não cobrir o consumo. Esse risco se controla com a escolha do contrato e do volume.

Conclusão

A bandeira tarifária é um adicional que depende de fatores que a empresa não controla. Acompanhar o calendário da Aneel ajuda a prever o mês, e entender quem a paga ajuda a avaliar se o mercado regulado ainda faz sentido para o seu consumo.

Se a sua empresa tem conta mensal acima de R$ 10 mil e ainda paga bandeira, vale simular o mercado livre. Envie sua conta de energia e a Stratus Energia mostra quanto dá para economizar e quais riscos o contrato precisa cobrir.


Fontes